Muitos Nomes para a Mesma Arte

A Arte de Liechtenauer é um sistema integral que incorpora a totalidade da panóplia da cavalaria tardo-medieval, e não apenas «espada longa»: implica saber combater a cavalo, com e sem armadura, usando armas de haste tão bem como a mão vazia… Em consequência, nas fontes que estudamos as lições aparecem muitas vezes agrupadas sob diferentes nomes.
 
Segundo a intenção do combate:
  • Ernstfechten / Fechten zu Ernst → a sério
  • Schulfechten / Fechten zu Schimpf → por lazer ou para a prática
Segundo a montura:
  • Fechten zu Fuß → a pé
  • Fechten zu Roß / Roßfechten → a cavalo
Segundo o grau de proteções envolvidas:
  • Harnischfechten → combate com arnês (armadura)
  • Bloßfechten → combate «nu» (em roupa de rua)
Segundo as armas:
  • Ringkunst / Ringen → luta corpo a corpo, com ou sem adaga (Degen)
  • Messerfechten → combate com a espada-cutelo duma mão
  • Fechten mit dem langes swertes → combate com a espada em forma «longa»: com ambas mãos no cabo
  • Fechten mit dem kurzes swertes → combate com a espada em forma «curta»: com uma mão no cabo e outra na lâmina, ou ainda ambas na lâmina
  • Sperfechten / Axtfechten / Fechten mit dem Stangen / Fechten mit dem Sper / etc. → Combate com armas de haste, em geral.
O interessante é que muitas destas divisões podem combinar-se e há muita sobreposição já não apenas nos princípios, mas nas técnicas específicas.
Diagrama de Venn a mostrar a superposição de diferentes áreas da Kunst des Fechtens.
Diagrama de Venn a mostrar a superposição de diferentes áreas da Kunst des Fechtens.
 
Assim, por exemplo, o combate com Mordaxt (Archa) é num 80 ou 90% análogo ao combate com espada curta; as técnicas de Ringen com adaga são assimiláveis a técnicas de combate corpo-a-corpo com a espada (Ringen am Schwert). Muitas das técnicas da espada longa são análogas ou muito semelhantes às técnicas do Messer…
 
Ilustrando esta reflexão, um intento de criar um diagrama de Venn que mostre a forma em que estas correspondências acontecem. Podes descarregar uma versão em PDF neste link.
Vale advertir que as áreas de sobreposição não estão a escala.

 

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A autêntica lição da Krumphaw é o passo

Da mesma forma que a Zornhaw nos ensina a controlar o centro (e portanto a espada contrária) e lançar a ponta por cima, a lição primeira da Krumphaw é saltar fora do ataque, evadindo. A cutelada é consequência do deslocamento, e não ao invés.

Este fenómeno sucede com frequência no estudo da Zettel e as suas glossæ: que o elemento apresentado em primeira intenção é apenas uma escusa ou contexto para introduzir uma série de lições frequentemente mais genéricas.

Assim, onde numa primeira leitura focaríamos a atenção em compreender e aplicar a técnica da Krumphaw, compreendendo melhor a essência da Arte passamos para trabalhar a importância (neste caso) dum deslocamento fora da linha, da evasão e por implicação de como controlar os ataques da pessoa oponente através da invitação e do engano.

«Na Krumphaw a ponta
as mãos não perdoa.

Na Krumphaw o passo
vence o assalto.

»…coloca o pé esquerdo por diante e a ponta da espada contra o chão, no teu lado direito, com o fio verdadeiro para acima. Desta forma presentas uma abertura no lado esquerdo. Se responde a isto com cutelada, salta bem longe dela para a direita, com o pé direito, e usando a mão esquerda empurra a maçã da espada por baixo da direita, e dá assim cutelada de fio verdadeiro com braços cruzados, a tua ponta contra as suas mãos.» — Codex Lew.

(Na imagem do cabeçalho: a Schrankhut em ambos lados, mostrada no Goliath)

 

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Camisola e aulas para 2020-2021

Temos já horários para este ano!
Como podeis consultar no website da escola, as aulas serão:

→ As terças-feiras (martes) de 18h00 a 19h30.

→ As quartas-feiras (mercores) de 19h30 a 21h00.

Continuaremos no Centro Cívico do Romanho, ainda que enquanto a meteorologia permita faremos treinos no parque que há imediatamente fora. A atividade ao ar livre é a mais segura contra o vírus.

Lembrai consultar também as normas específicas para a COVIDE-19!

O Zeitgeist, em t-shirt

Como a imagem criada para o cartaz de início de curso deste ano teve boa acolhida, há disponível uma versão em t-shirt na nossa loja de RedBubble. Podes seguir esse link para ver todos os desenhos que temos à venda, ou ir especificamente ao «Keep Calm & Fight On» premendo nesta imagem.

«Keep Calm & Fight On» t-shirt

Lembra que com a compra de merchandising ajudas a financiar a nossa pesquisa da Arte do Combate e a desenvolver mais atividades de iniciativas!

A máscara de HEMA que (ainda) não existe

Uma pessoa estava a perguntar num grupo de debate se uma máscara de esgrima desportiva era suficiente para começar a treinar HEMA. Várias outras pessoas sairam a avisar de que não, de que necessitava uma coifa ou acolchoamento adicional, de que em grupos X não era permitida uma máscara de esgrima desportiva, etc.

Ainda que, em geral, estas pessoas estavam a dar conselhos válidos, estava a faltar uma visão de conjunto do que são as máscaras de esgrima desportiva, do que se necessita numa máscara de HEMA, e de qual é o estado do consenso na comunidade internacional, pelo que escrevi uma resposta um bocado longa que, acho, pode ser útil para referência futura, pelo que aí fica:

Olá a todos, eu tenho uma duvida, uma mascara normal de esgrima olímpica serve para a pratica de HEMA? Como eu faço esgrima eu tenho uma dessas, queria saber se eu teria problemas com ela. Se alguém já teve experiencias com esse tipo de mascara e puder compartilhar seria ótimo.
Estou pensando em fazer algum tipo de overlay pra proteger a nuca, e também o topo da mascara.
É uma mascara não fie da fleche.

Três ideias rápidas:

  1. Serve para começares.
  2. Pergunta sempre, e segue as indicações, do grupo de HEMA com que vaias treinar.
  3. Se achas que estás a receber golpes mais fortes do que gostarias, detém a atividade, conversa com a outra pessoa para reduzir a força e, se isso não serve, procura outra parceira.

Mais em profundidade:

a) Não existe uma regulamentação estándar internacional a definir o que é aceite ou não em HEMA. Só normativas de grupos mais ou menos grandes, e muitas opiniões individuais. Portanto, há liberdade para usar o que cada quem ache bom e lhe seja aceite nos contextos (aulas, encontros, competições) nos que quer participar.

b) Dito o anterior, há um *abrumador* consenso no uso de máscaras de esgrima semelhantes à que mostras na imagem. Portanto, para começar serve bem.

c) Adicionar acolchoamento interior é, certamente, uma possibilidade, que depende da preferência individual. Eu conheço um par de pessoas a usar. A maioria da gente que conheço (centos de pessoas) não usa acolchoamento interior. Não vi nenhuma regulamentação local (clubes, federações, torneios) a exigir o uso, mas com certeza algures algum coletivo haverá a exigir. Isso não quer dizer que seja a norma.

d) O que sim é, novamente, parte do consenso é que a máscara requer qualquer tipo de proteção para a caluga (como já sabes, porque dizias que ias construir uma). Há várias soluções diferentes (e muitas feitas na casa), mas o mais habitual é ver algo semelhante a uma proteção de teinador de esgrima desportiva com cobertura para a caluga acrescentada. Isto adiciona um acolchoamento exterior, e talvez é por isso que menos gente leva acolchoamento interior.

A questão da proteção na caluga é um consenso menos forte que o da máscara, poque «HEMA» é um termo muito amplo. A gente a treinar espadim não necessita proteção para a caluga. A gente a trabalhar espada longa, certamente devia, especialmente em contextos não competitivos. A gente a usar armas de haste… bom, aí nem a proteção da caluga nem nada é suficiente, mas isto leva-nos ao ponto seguinte:

e) Ainda que *todo o mundo*, em termos práticos, está a usar isto, há também um enorme consenso em que as máscaras de esgrima desportiva não são suficientes. Usamo-las porque são uma alternativa económica e fácil de comprar «off the shelf», e por questões históricas.Também porque são um produto homologado (mas para outra atividade), o que permite, na hora de organizar encontros e competições, fixar um standard bem definido. Mesmo que seja insuficiente, dizer «uma máscara de esgrima CEN2» é mais mensurável e objectivo que «o capacete feito na casa que à organização do evento lhe pareça adequado». Também é algo que a gente que se desloca desde muitos quilómetros pode comprovar na casa, sem chegar ao lugar do evento a descobrir que não é suficiente o equipamento que leva.

f) Desenvolver uma máscara para HEMA de qualidade é um trabalho complexo, e ainda está por completar e por chegar a um consenso internacional — já nem dizer um standard. Houve e há vários intentos, com sucesso variável: «That Guy Masks», dous modelos de máscara de HEMA de Leon Paul (a Titan e a chamada «Melmet»), a máscara de PBT «HEMA Warrior», a máscara com extensão para a caluga «RearGuard», etc.

O importante dos modelos listados acima é compreender:

  • que não há nenhum que encontrasse ainda uma solução a gerir consenso entre a comunidade
  • que são todos experimentais, muitas vezes com controis de qualidade variáveis (mesmo Leon Paul, que é uma marca de equipamento de esgrima desportiva de prestígio, teve problemas nas suas máscaras).
  • que isto é normal, porque estão a experimentar um produto novo e desconhecem os problemas com que se encontram, as cadeias de subministro, os materiais, etc.
  • que nenhum deles é exigido, até onde eu sei, em nenhum coletivo medianamente grande de HEMA no mundo.

g) Relacionado com e), há dous níveis de certificação em máscaras de esgrima desportiva: CEN1 e CEN2. Em geral, a segunda é mais protetiva, e mais cara. Cuidado com misturar estes níveis com a graduação em «newtons»: esta refere-se à teia da barba da máscara, não ao metal, que é o que habitualmente preocupa na nossa prática. Há mais detalhes, para os que refiro este excelente artigo do Keith Farrell.

Em conclusão

Não há um estándar internacional, e a maioria dos grupos utilizam uma proteção de esgrima desportiva que sabem insuficiente.

Estamos a praticar uma arte marcial com armas de aço (e mesmo as de plástico ou madeira podem dar golpes importantes). É muito provável que *nunca* exista um sistema de proteção conta a força excessiva. Não podemos agir como se a proteção que temos (que, repito, é insuficiente) fosse carta branca para bater na outra pessoa com toda a força que queremos.

E adicionalmente: não é necessário. Uma espada real corta, muito bem, sem força excessiva. Quando é usada com mais força da necessária, isto apenas degrada a técnica. A boa técnica *sempre* vai usar apenas a força necessária, e não mais que isso.

Então?

Auto-controlo, confiança, e respeito por nós e polas pessoas com que partilhamos a atividade.

Conversa com a pessoa com quem vaias treinar, e acorda as técnicas que vais usar, onde pode golpear, e com quanta força. Se bate com mais força da que gostas, ou em lugares que tens mal protegidos, deixa de treinar com essa pessoa. Literalmente pode depender a tua vida disso.

Para mais referências, deixo cá a lista de indicações de equipamento que usamos na Arte do Combate.

 

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Na procura da esgrima medieval galega

Há uns dias que o camarada Aldán,1 que treina na Sala Viguesa de Esgrima Antiga, escrevia com uma pergunta muito interessante. A resposta e conversa a seguir deu para bastante proveito polo que, com o seu consentimento, passo a reproduzir cá a sua pergunta e a minha resposta, ligeiramente editada em benefício do artigo:

Levo tempo cunha dúbida detras da orella, xusto me acordei hoxe e queria pedirche a tua opinion:

Sempre me preguntei que tipoloxia de esgrima se practicaria de maneira xeral na Galiza dos s XII a XV. Preguntabame se aplicarian o recollido nos tratados I.33 e 3227a, ou se pola contra seguirian algunha outra tipoloxia.

Por que dou por sentado estas dúas tipoloxias? Por que Pedro de Soutomaior foi un dos primeiros (se non o primeiro) en introducir as armas de fogo na peninsula, e ao parecer debia de ser unha persoa que apostaba pola innovación, así que se coñecia a existencia destas armas e conseguiu traelas non me extrañaria que coñecera e trouxera estes estilos.

Posiblemente isto non teña ningun sentido nin relación causa efecto, tamén dicir que falo sen sustentarme en ningunha evidencia, son puras elucubracións.

Mais recentemente vin en Wiktenauer un novo mestre coñecido como Ibn Hudayl. Parece ser que este mestre escriviu en arabe un libro sobre a guerra onde fala de distinta armas no século XIV. Imaxino que aquí poderiamos atopar pistas sobre o estilo de esgrima da peninsula neses anos.

Ben, como ves non teño nin idea, e gustariame trasladarche a ti esta dubida por se tes algunha opinión o respecto, que tipoloxia, ou tipoloxias de esgrima crees que se desenvolveron en Galiza entre os seculos XII e XV?

Pois… é muito boa pergunta, e uma que eu também me tenho feito.

Até onde sei, de momento não temos documentação do tipo de esgrima tardo-medieval que se praticava nestas terras, polo que tudo tem que ser inferência e supostos prudentes. Seria ótimo se nalgum momento aparecesse, nalgum tombo da Catedral ou algures, um sistema de esgrima autóctone ou provas documentais da prática doutros importados…

Porquê não encontramos tratados galegos

O escritório de Aldán em plena operação de pesquisa — no primeiro plano, a nossa tradução do 3227a para o galego, e no fundo, o cartaz da Zettel que acompanha o livro. No computador, as postas de Fiore.

O certo é que os tratados de esgrima (que eram caros de fabricar, e portanto um objeto para gente rica) seguem o dinheiro. No final da idade média, isso é o eixo das cidades itálicas e a Hansa — quer dizer, justamente atravessando o Sacro Império de sul a norte. Quando, virando o S.XV, o poder económico desloca da centro-europa para o eixo leste-oeste íbero-itálico, aí é onde vão aparecer os novos tratados (e com eles, a Destreza). Depois, com o auge da França moderna, será esta a que tome o relevo, etc… Isto é uma simplificação, é claro, mas serve de grosso quadro para a nossa circunstância.

Outro requerimento importante para a existência de tratados (de qualquer matéria) é que exista um público que os valorize. As universidades (e antes delas as escolas catedralescas, etc) que foram nascendo no ultimo terço da idade média são uma mostra da (relativa) alfabetização da sociedade. Aos poucos vai existindo uma nobreza mais geralmente culta (não é certo que a nobreza medieval fosse profundamente bruta e inculta, como sabemos, mas semelha existir uma generalização, particularmente da cultura escrita, entre a nobreza a medida que avança o medievo — para mostra, ver quem eram os autores das nossas cantigas, ou quem manda traduzir a Crónica de Troia à nossa língua) e uma camada burguesa mais formada (que deve levar os seus livros de contas, os seus pleitos e contratos, etc). Esta é a gente que consume e demanda os livros de esgrima (entre outros), e que os mostra como objetos de ostentação social (no caso da burguesia, provavelmente para se apropriar dos atributos da nobreza, no processo de a substituir).

Somados estes dous fatores (que são apenas a superficialidade do assunto, olho) temos que o apogeu económico da Galiza medieval está por volta do S.XII, polo menos relativa aos povos que tinha ao redor (e com isso refiro-me à Europa ocidental inteira). Aí é onde deveríamos encontrar tratados de esgrima, mas até onde sabemos, ainda não começara a moda de os fazer. Não existiam ainda as universidades, não estava ainda (em termos gerais) suficientemente desenvolvidas as camadas meio-ricas da sociedade, e não existia um acumulação de capital suficiente para fazer que os livros de esgrima, que não são objectos de culto, justifiquem a sua existência.

Após o apogeu da Era Compostelá, a Galiza vai cair em vários séculos de guerras quase continuadas, com a nobreza galaica tentando recuperar a hegemonia (ou resistir o seu deslocamento cara Castela). O apogeu destas será a longa Guerra Petrista da final do S.XIV, e a agonia final prolonga-se nas Guerras Irmadinhas e a guerra em defesa de Joana «a Excelente Senhora». Após o fracasso da politica militar galega nestas, os próprios Reis Católicos procedem à famosa «Doma e Castração» que, a efeitos práticos, elimina essas camadas sociais que puderam, em séculos posteriores, ter produzido ou consumido tratadistica autóctone — iniciando, em suma, os Séculos Escuros, onde a nossa cultura em essência desaparece até o S.XIX.

Isto coloca, do meu ponto de vista, a Galiza dos S.XIV – XV (o início da tratadistica de esgrima que conhecemos) numa situação semelhante à da França na altura. O Reino dos Francos era o reino europeu por excelência, flor da cavalaria, etc. Por quê não aparecem os primeiros tratados de esgrima nele?2 Em parte porque não existe uma distribuição de capital entre as camadas altas da população semelhante à do Sacro Império (mais descentralizado, com muitos nobres e burgueses, e com esse eixo comercial norte-sul). Em parte também porque a guerra constante distrai a atenção da gente para matérias mais urgentes: estavam ocupados matando-se como para andar a ler em livros duma esgrima que, afim de contas, era com quase total certeza 99% lazer.

A esgrima que de certo sim era praticada

Então… essa é uma possível explicação de por quê não há (ainda que ogalhá algum dia encontremos algo) material autóctone. Mas, não se estudava esgrima?

Alfredo Erias – desenho de cavaleiro do S.XIV da Igreja de São Francisco de Ourense

Com certeza, sim. Havia espadas, comparáveis às do resto do continente, gente de armas, e gente a combater com elas. Havia, portanto, qualquer tipo de formação ao respeito. A questão é como era essa formação, de onde vinha, quem a ministrava. Para responder a isto seria necessário fazer um estudo a fundo de como estava organizada a sociedade galega na altura, e particularmente as cidades — matéria da que eu conheço pouco (uma de tantas cousas pendentes de aprender).

É possível que existisse um sistema de esgrima autóctone, mas não sabemos. Talvez se praticassem muitos estilos diferentes (quase com total certeza essa era a situação em quase qualquer lugar da Europa na altura). É possível que parte desses estilos fossem importados.

Como ti bem apontas, é importante incidir para a o público geral no fato de a Galiza não ser, na altura, «periferia», nem um lugar atrasado nem longe das vias de comunicação ou dos centros de poder. A Galiza estava em contato direto com a corte inglesa (e, suspeito, com a francesa também), e sempre teve contato com Roma e a península itálica. E, sobra dizer, o contato com Portugal era tal que basicamente era a mesma cousa. Por isso podemos ver arneses como os dos Andrade (especialmente o d’«o Mau»), de altíssima qualidade.

Capa do álbum «Cavaleiros» de Alfredo Erias — no primeiro plano vemos uma archa, espada duma e de duas mãos, adaga de rondel. Atenção também à qualidade dos arneses

Sabemos que o Conde Andeiro estava a cavalo entre Galiza, Portugal e Inglaterra. Era político, e nessa época cabe supor-lhe sequer um pouco de interesse no assunto marcial. Há outros muitos exemplos, claro. A questão é: puderem estas gentes ter importado algum dos estilos que temos documentados? Não é improvável, mas novamente nada temos documentado.

É possível, por exemplo, que dada a ligação inglesa, nalgum momento tivéssemos algum contato com o tipo de esgrima recolhida no Man yt wol, o Cotton Titus e o Ledall. Há quem quer fazer isto essencialmente idêntico à KdF, mas eu tenho sérias dúvidas ao respeito.3

Também pudera ser que algum nobre, burguês, viajeiro, peregrino ou mercenário trouxesse consigo a Kunst do Império. Ou a esgrima do Grupo de Nuremberga. Ou a do Gladiatoria, ou a de Fiore. Por que não? Se calhar a burguesia nascente das Revoltas Irmadinhas estava a estudar alguma destas escolas, ou uma mistura ou bastardização das mesmas.

Alfredo Erias – desenhos arqueológicos de sepulcros de cavaleiros da Igreja de São Francisco de Lugo, S.XV – atenção à inegável espada de duas mãos

Outro tema é o das fontes árabes. Como bem dizes, há material. Não sei como de aplicável seria para nós: dos povos da península (talvez excetuado o basco), o galego era o menos islamizado, muito virado para o atlantismo e os contatos continentais. Para além disto, estamos a falar já duma época de declínio na hegemonia cultural dos estados islâmicos na península. Tenho dúvidas a respeito do que pudesse chegar à prática da esgrima da Galiza, mas quem sabe… o estudo das fontes árabes (para o que possa trazer para nós ou as HEMA em geral) está por fazer, e é certamente muito necessário. Qualquer cousa tem que existir aí.

Em resumo: se a pergunta é «pudera ser que alguém praticasse a tradição X na Galiza», a minha resposta é «é certamente possível». Estávamos bem conectados, e a troca cultural era importante. Se a pergunta fosse «existiu uma tradição de esgrima autôtone», já duvido mais. É possível — até certo ponto, qualquer pessoa a pegar numa espada e improvisar técnicas de combate mais ou menos elaboradas estava a criar o seu próprio sistema, e portanto por definição era um sistema naturalmente galego. Mas isso sucedia em toda parte, em maior ou menor grau. Certamente também sucedeu na Galiza, mas o debate não é esse. Quando falamos de HEMA estamos a falar dos sistemas dos que ficou registo documental. Nesse sentido há que dizer, tristemente, que não me consta termos nada.

Até agora, é claro.

 

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A violência na sociedade tardomedieval:
ilegal, social e legal

→ Este artigo faz parte dos ensaios contextualizantes incluídos no livro Há Uma Única Arte da Espada, que é um estudo e tradução livre do manuscrito GNM HS 3227a: um dos textos mais relevantes no estudo da Kunst des Fechtens.
Podes comprar o livro em papel no website da AGEA Editora.

Alguns números:

Oxford ou a Florença do S.XIV apresentam uma estatística de 110 homicídios por cada 100,000 habitantes. São números elevados: a cifra baixa a 20 – 40 por 100,000 habitantes de média no resto do continente. Mas ainda isto é um pico: no S. XIII as cifras eram consideravelmente inferiores e com posterioridade ao 1500 também vamos ver um descenso progressivo até meados do S. XX (Irlanda, por exemplo, chega aos 0.25 homicídios por 100.000 em 1950).

Um dado a termos presente é a realidade médica: estima-se que o 50% das vítimas de homicídio do S. XIX teriam sobrevivido se tivessem acesso à nossa ciência médica. Longe de suavizar a intenção das tentativas de assassínio, devemos ter presente que a população na altura não era ignorante dos riscos: hoje estaríamos dispostos a receber e produzir feridas que no passado podiam ser com muita probabilidade causa de infeção e morte. A atitude, portanto, devia ser bem mais prudente na auto-defesa, e em oposição, matar alguém resultava mais simples: uma ferida podia ser suficiente para garantir uma morte dolorosa e dilatada.

— Dados tirados de Making Sense Of Violence?
Reflections On The History Of Interpersonal Violence In Europe
,
por Richard Mc Mahon, Joachim Eibach Et Randolph Roth.

Que a violência é um meio histórico de resolução de conflitos é uma evidência. A aproximação crítica a esta realidade é considerar que «a guerra é o fracasso último da diplomacia». A cínica (ou realista) é que «a guerra é a continuação da política com outros meios». Seja como for, a violência física (por não falar das poderosíssimas violências sistémicas, simbólicas ou económicas que dão forma às nossas vidas) é uma realidade presente hoje em dia e ainda mais no passado.

Podemos excluir desta análise a guerra já citada. Esta é um fenómeno organizado de grande escala, onde o relevante é o grupo e não, como no caso que nós estamos a estudar, o indivíduo. Embora seja errado pensar numa sociedade ou um contexto «civil» na Idade Média, já que esse é um conceito produto do liberalismo politico, com certeza podemos dividir a violência interpessoal que fica fora do âmbito militar em: auto-defesa (e o seu reverso o crime), violência social e violência legal. Todos eles são aspetos tratados pela Kunst des Fechtens, embora em diferente grau, como vamos ver.

A violência ilegal e a sua resposta

O crime e a auto-defesa existem juntos. Em geral as nossas fontes não assumem a vontade de cometer um delito por parte de quem lê — mas sim da necessidade de nos defender dele. O tratamento disto é, em geral, secundário (a maior parte do corpus assume um único oponente com armas iguais às nossas em combate singular) mas Talhoffer, por exemplo, mostra imagens para a defesa duma pessoa contra vários oponentes. Este mesmo 3227a fala de como lutar contra «quatro ou seis pessoas» (mais bem fala da necessidade de fugir delas… mas disto é possível deduzir que quem escreveu achava que devíamos poder vencer até três oponentes à vez).

É importante destacar que falamos duma época em que a violência não é ainda monopólio do estado. Não existem exércitos regulares (vão aparecer como consequência da Guerra dos Cem Anos) nem polícias como hoje as entendemos, e as «guardas» de muitas cidades são turmas rotativas de milícias formadas pelos próprios cidadãos. De muita gente aguarda-se (exige-se) que tenha armas na casa, suficientes para formar um contingente com que defender a cidade ou o território. Neste contexto, para a resolução de muitos conflitos no nível do crime e da auto-defesa a pro-atividade da população é considerável.

A violência socialmente aceitável

Vamos considerar «violência aceitável» na sociedade aquela que não tem como consequência a morte, já que esta última costumava promover a situação à categoria de delito. Inclui as disputas ocasionais (brigas de taverna, lutas entre vizinhos, etc) bem como os duelos «de honra», muito frequentemente não mortais, e outras dinâmicas de dominância social semelhantes. Todas estas violências podem, enquanto não tenham como consequência a morte ou dano grave e permanente, ser consideradas pelo resto da sociedade parte da «esfera privada» em determinados momentos históricos, e assim ignoradas mesmo quando tecnicamente puderam ser ilegais.

Não pode ficar sem menção cá uma das mais trágicas exceções a esta distinção: para a violência machista o tabu da morte nem sequer era assim tão forte — não em poucos casos o assassínio duma mulher pelo seu homem, mesmo sendo do conhecimento público, era ignorado de forma deliberada: a religião e a propriedade privada conspiravam em contra.

Cumpre também ter presente que estamos a considerar violência «entre iguais» socialmente falando. Um plebeu a agredir um membro da nobreza vai ter um tratamento diferente do que a situação inversa. Esta assimetria na aplicação da justiça é um facto tão atual como a realidade da violência — é por isso que os membros da casa real espanhola não são tratados da mesma forma pelo sistema judiciário que a oposição política.

Mas dentro dos parâmetros indicados, esta violência socialmente aceitável tem as suas próprias regras, das que a mais forte seria o «não matarás» já exposto. Estas normas encontram por vezes codificação legal, mas são em geral não escritas. Trata-se de situações alegais ou mesmo ilegais para as que a sociedade mostra tolerância — é um fenómeno a suceder em toda época. Assim, há apenas umas décadas não era infrequente os nossos vizinhos resolverem disputas através do varapau. O que na nossa geração resultaria numa denúncia na polícia era aceite na altura, considerando o envolvimento de autoridades superiores um mal maior. De forma semelhante, os duelos pós renascentistas estiveram geralmente proibidos na maior parte da Europa, mas não por isso eram menos aceites. O propósito dos mesmos era estabelecer o ascendente da palavra duma pessoa sobre outra, e enquanto não produzissem mortos, com frequência a justiça mirava para outro lado.

A cutelada seria legítima auto-defesa; a estocada, intento de assassínio

E estas normas podem virar por vezes muito específicas. Por acaso, no Sacro Império do S. XVI não era costume utilizar estocadas. Uma cutelada numa briga pudera ser entendida como uma forma legítima de auto-defesa, mas uma estocada facilmente seria interpretada como um intento de assassínio deliberado. A origem desta consideração é provavelmente médica — uma estocada é mais difícil de limpar (e em consequência, mais suscetível às infeções) que uma cutelada, e pode mais facilmente ferir órgãos internos que não é fácil curar com a tecnologia médica da época. Mas há adicionalmente uma consideração técnica: a cutelada é boa para deter ataques, é fácil de dar e fácil de atingir no alvo. Também tem maior «poder de parada», quanto é mais fácil que incapacite à oposição ao cortar tendões, ligamentos ou músculos, ou simplesmente pelo choque da ferida produzida. Tem um caráter mais instintivo, menos deliberado. A estocada, por contra, requer uma execução mais precisa, e portanto mais intenção por trás dela.

Porém, a estocada é considerada na Kunst des Fechtens o principal objetivo: «…a ponta é centro, coração e meio da própria espada». Devemos ter isto presente e analisar, em consequência, que quando o texto recomenda o uso da ponta está a assumir um combate «a sério», onde a nossa vontade será acabar com a outra pessoa. O contexto em que se vai dar isto nem sequer é a auto-defesa (pudéramos ter que responder pela morte de quem nos atacou, dependendo das amizades que tenham e o que delas reclamem), mas uma figura legal muito específica que já citamos com anterioridade: o duelo judicial.

Violência legal: o duelo judicial

Para Spierenburg, o duelo representa «uma inovação na prática da violência» na medida em que «a demora entre o desafio e o combate promove a contenção emocional. Trata-se dum passo além da violência impulsiva, na direção da violência planejada».

A origem deste duelo judicial está no direito consuetudinário dos povos germânicos, que foi estendido por estes através da Europa durante a época das migrações e formou a base, por vezes hibridado com o direito romano e outros, para o sistema legal de muitas terras. Ficou melhor recolhido nos códigos legais do Império Franco e do Sacro Império Romano desde o S. IX, e tem paralelismos na tradição do Holmgang escandinava. Foi perseguido pela Igreja Católica desde muito cedo, possivelmente porque o procedimento envolve dalguma forma o apelo à intervenção divina para separar a quem combate em justiça de quem mente, mas perdurou durante perto de 700 anos. Os últimos duelos judiciais documentados são do S.XVI, em que foram abolidos pelo imperador Maximiliano.

A nível de anedota: no Reino Unido, como consequência do seu amor pelo direito consuetudinário, o duelo judicial foi tecnicamente uma opção legal até 1818, em que foi definitivamente abolido. Os Estados Unidos da América, herdeiros desse mesmo marco legal do que se independizaram em 1776, nunca aboliram formalmente este mecanismo, pelo que — embora seja sistematicamente rechaçado pelos tribunais — há argumentação legal para defender que continua lá em vigor.

O recurso ao duelo judicial reservava-se para delitos graves em ausência de testemunhas

Este duelo judicial era em princípio uma opção à que podia recorrer a nobreza, os cidadãos livres dalgumas cidades (ver por exemplo a legislação de Gelnhausen, que decreta que os habitantes do burgo não podem ser obrigados a contender contra gentes de fora, mas sim podem eles desafiar a duelos quem não pertença à cidade) e, na mínima em certas ocasiões, mesmo os servos. Não era um direito automático: se a parte acusada fora descoberta «no ato», ou se existirem testemunhas ou provas suficientes, o curso da acusação seguiria um juízo normal. O recurso ao duelo judicial reservava-se para delitos graves em ausência de testemunhas.

Mas para falarmos do desenvolvimento, procedimento e consequências do duelo judicial, que melhor que citarmos cá um trecho de Hans Talhoffer, que foi (provavelmente) treinador profissional de duelistas para esta eventualidade (a formatação e os negritos são meus):

VELAQUI AS SETE CAUSAS
pelas que um homem tem o dever de combater

  • A primeira é o assassínio
  • A segunda é a traição
  • A terça é a heresia
  • A quarta é promover deslealdade contra o seu senhor
  • A quinta o sequestro
  • A sexta é o perjúrio
  • A sétima, abusar de mulher ou donzela

E esses são os motivos pelos que um homem desafia outro a um duelo. Esse homem deve mostrar-se diante dum tribunal e apresentar o seu caso pela sua própria palavra. Deve este homem nomear a quem acusa pelo nome de batismo e apelido. Em chegado o acusado, deve o acusador repetir três vezes as acusações diante de três juízes — salvo se algum deles não aparece e não responde por si. Então deve o acusador mostrar que a sua necessidade é justa e correta. O acusado deve entender isto tudo tão bem como o acusador, e isto é importante pois vai em benefício da lei da terra. E apenas após ouvir as testemunhas deve ser emitido veredito.

Então, quem fosse acusado deve mostrar-se diante dos três juízes para responder e defender. Deve mostrar-se livre de culpa e repetir que as acusações não são certas e que está disposto a combater por essa verdade, como permite e requer a lei da terra que pisa. Será então decretado o seu tempo para treinar, e este será de seis semanas e quatro dias. Passado esse período, deverão ambos combater, seguindo o costume e direito da terra. Ambos os contendentes devem livremente jurar retornar ante o tribunal e combater um com o outro, e assim cada um terá perto de seis semanas de treino em paz, e terão proibido romper essa paz até que chegue o momento que foi decretado pelo tribunal.

[…] É assim que dous homens vão ao duelo — salvo se tiverem menos de cinco graus de parentesco entre si: neste caso não poderão resolver através do duelo, e isto deve ser jurado por sete homens das ramas maternas ou paternas da família de qualquer um deles […]

E se um homem desafiado for tolheito ou tivesse má vista, será justo por parte dos juízes decretar que a pessoa completa seja posta ao nível da outra, e este decreto deve ser feito assim ambos os homens jurem, para assim o homem tolheito ou com má vista ter oportunidade de vencer no duelo igual que o outro.

E quando as seis semanas tenham passado e chegue o dia, então ambos devem apresentar-se diante dos juízes […] e nesse momento o acusador deve jurar que tem causa para combater contra o outro, e que considera o outro culpável. E assim os juízes marcarão uma arena e uma guarda para o duelo e um veredito, e darão conselhos seguindo os costumes da terra: que o homem errado será derrotado segundo a honra demanda, e que isto será prova de que o outro falou com verdade e justiça.

Quando os combatentes se chegarem à arena, o juiz olhará para ambos e lembrará que está proibido tentar eludir o duelo nem por saúde nem por riqueza, e que ninguém poderá intervir na luta nem ajudar os combatentes […]

E se qualquer combatente saísse da arena antes de o duelo chegar ao seu mortal fim, seja porque foi empurrado fora pelo seu oponente ou porque tenta fugir ou pelo motivo que seja, ou mesmo se admite que o outro homem tinha razão na causa do combate — então esse homem será julgado derrotado, e correspondentemente executado e matado. Porque foi conquistado por outro homem em combate, e foi feita justiça seguindo a lei e costume da terra.

— Hans Talhoffer,
MS Thott.290.2º, 1459

Adenda

Permito-me acrescentar cá umas palavras que no artigo publicado no livro ficaram fora, por questão de espaço. Se bem são conclusões ao meu ver claras do lido acima, vale a pena incidir nelas.

Pouco é necessário acrescentar ao já mostrado. Repare-se apenas nos seguintes aspetos do protocolo que Talhoffer descreve:

  • Um marco de violência extremamente formalizado
  • Com margem de tempo para a reflexão, preparação e treino
  • Com múltiplas oportunidades para qualquer das partes darem um passo atrás
  • Com um resultado inapelável: a morte de, na mínima, um dos dous combatentes.

Este ultimo ponto deve ser tido presente no contexto dos anteriores, compreendido e analisado. É certo que existem outras regulamentações para duelos, anteriores e especialmente posteriores, onde a morte não é inevitável, e a satisfação do primeiro sangue é suficiente. Este tipo de mecanismos têm mais a ver com o duelo de honra, do que não falamos neste apartado por quanto cai no anterior — a violência socialmente aceitável, mesmo sendo ilegal. No autêntico duelo judiciário a honra não é um fator relevante: o duelo em si é um mecanismo de pesquisa da verdade.

Do meu ponto de vista, a necessidade da morte em duelo tem como propósito desincentivar a participação no mesmo. A certeza duma morte quase segura (mesmo, repare-se, para a parte vitoriosa, que bem pode ser igualmente ferida de forma mortal) pretende que as pessoas envolvidas resolvam a disputa por qualquer outro médio possível, antes de recorrer a este, talvez polo definitivo das suas consequências e por ser, realmente, aquele «fracasso da diplomacia» que no início do artigo negávamos.

 

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Treino solitário: exercícios básicos de pés

Há tempo que alguns estudantes da Arte do Combate reclamam exercícios para trabalhar solo. Nas atuais circunstâncias de pandemia o tema voltou à minha cabeça e acho que pode ser útil para a comunidade de HEMA geral. Vou portanto juntar neste e em futuros artigos uma série de ideias para trabalhar na casa em dias vindouros.

Os deslocamentos são uma forma de exercício imprescindível na prática da Arte. Porém, ao não focar na espada, são vistos com menos glamour por muita gente, quando não diretamente ignorados. Isto é um erro: a espada fere, mas são os pés os que nos colocam em posição de ferir.

No contexto que nos ocupa, os deslocamentos são ademais fáceis de fazer. Pode-se aproveitar qualquer espaço da casa: um corredor, nem muito longo, para séries de passos e compassos; um pequeno oco despejado na sala para transversais e passos de roda.

O que procurar nos deslocamentos

Antes de entrar aos exercícios concretos, vamos ver o que diz o GNM HS 3227a acerca disto:

Na hora de combateres contra outra pessoa, deves estar alerta aos seus movimentos e ser firme nos teus, pisando com cuidado como se tivesses cada pé no prato duma balança, de forma que possas deslocar-te adiante ou atrás, com contenção mas também com rapidez e agilidade, com coragem e engenho e sem medo, como logo vás ver.

Deves então atuar com medida1 e mover-te segundo for necessário, sem dar grandes e longos passos, podendo em todo momento deter a ação e mudar para um outro movimento de avanço ou recuo. Com frequência é melhor dares dous passos curtos que um longo, e com frequência é necessário fazeres uma carreirinha com muitos destes passos. Mas às vezes também é necessário um deslocamento comprido e rápido ou mesmo um salto.

Pontos a ter em mente:

  • Die Waage: o equilíbrio na balança. O peso deve estar repartido entre os pés. Ao dar um passo ou compasso, o corpo deve permanecer em equilíbrio para poder cancelar a ação se fosse necessário.
  • Ênfase nos passos curtos, controlados. Isto está relacionado com die Waage e mais com Moße, o conceito de agir com medida e controlo.
  • A importância de conectar deslocamentos de forma fluída, para ser quem de cobrir uma distância longa com vários passos curtos.
  • Fiando com os pontos anteriores: a necessidade de poder virar de direção ou sentido no meio duma destas «carreirinhas».

Então: trabalhar os deslocamentos não é para ser feito às toas. Requer pausa, observação das próprias ações, e correção das mesmas. É aí onde está a utilidade do exercício. Como norma, especialmente no início de cada sessão de prática, recomendo pausar após cada passo (ou sequência de passos se é isso o que se está a treinar) e verificar:

  1. Balanço: temos o peso bem repartido, bem colocado? Ficamos tendentes a cair para um ou outro lado, ou estáveis? Poderíamos iniciar qualquer outro deslocamento?
  2. Postura geral: conservamos a estrutura? Está o corpo reto, peito de frente, coluna estável sobre as cadeiras, braços em posição de agir?
  3. Pernas: estão os joelhos abertos e sobre a planta dos pés? Há sobre-extensão na flexão do joelho?
  4. Orientação dos pés: aponta o pé que avançou na direção do movimento? Ficou o pé atrasado orientado corretamente para a ação próxima?
  5. Separação dos pés: conservamos o espaço entre ambos que abre as cadeiras? Como norma geral compre evitar que fique um pé diante do outro, em linha.

Breve lembrete terminológico

Porque a nomenclatura para os deslocamentos está pouco definida na bibliografia da Kunst, nas aulas da Arte do Combate empregamos termos adatados da esgrima ibérica do XVII:

Quanto à direção do movimento:

  • Reto é qualquer movimento de avanço.
  • Estranho é qualquer movimento de recuo.
  • Trepidante é qualquer movimento paralelo, que nem avança nem recua
  • Transversal é qualquer movimento a se deslocar nas diagonais, quer dizer: entre reto e trepidante (transversal reto), ou entre trepidante e estranho (transversal estranho).

Quanto à relação entre os dous pés no movimento:

  • Passo é qualquer movimento onde muda o pé avançado.
  • Compasso é qualquer movimento onde o pé avançado fica tal.
  • Roda é o movimento onde o corpo vira sobre uma das pernas, desenhando um pequeno arco de círculo com o pé contrário.
  • Shildstritt (literalmente «passo-escudo») é um tipo particular de passo transversal que (contra do que é habitual) é nomeado de forma explícita e descrito no 3227a, onde a perna atrasada cruza diagonalmente por diante da avançada.2

Estes termos podem ser compostos. Assim,  passo transversal é o que movimenta a perna atrasada para ficar adiantada, deslocando-nos numa linha diagonal, enquanto que compasso transversal movimenta-nos na diagonal mas sem chegar a mudar a perna avançada. 3

Exercícios

Passos e compassos aproveitando um corredor da casa.

Realizar os movimentos devagar, focando em corrigir os pontos listados acima. No início do exercício devemos ser mais estritos na forma. Contra o final podemos incrementar a velocidade e a fluidez.

  • 40 passos
  • 40 compassos (alternar a lateralidade ao dar a volta, por exemplo).
  • 40 passo+compasso.
  • 40 passo+compasso+passo estranho (de recuo).
  • 40 passo+compasso+compasso estranho.

Pode-se iniciar já diretamente com esta quantidade ou menos, e ir incrementando de forma gradualmente, somando uns poucos passos mais cada dia.

Uma vez o movimento dos passos e compassos está naturalizado (e isto não sucede numas poucas sessões) o movimento vira natural e podemos brincar com eles, fazendo combinações e imaginando situações. Têm especial interesse as cadeias de deslocamentos onde rompemos o ritmo e/ou sentido do movimento.

Compassos transversais, aproveitando um espaço despejado duns 2x2m, ou menos (serve a cozinha ou a sala, habitualmente, afastando uma mesa). Como no anterior, focar na forma e depois ir introduzindo variedade.

  • 40 passos transversais.
  • 40 compassos transversais.
  • 40 passos transversais+compasso transversal.
  • 40 passos transversais+compasso transversal+fundo.
  • 40 passos transversais+passo transversal.
  • 40 passos transversais+passo de recuo.

Aos transversais vistos acima pode-se somar passos cruzados (Schiltstrite).

Se tens mais espaço, podes treinar também passos e compassos circulares, ou de roda (transversais rotando o corpo).

 

Paulus Kal’s Tetramorph of virtues

[Existe uma versão galego-portuguesa deste artigo]

Here’s a new design, based on the «tetramorph of virtues» from Paulus Kal’s treatise: the keen eyes of the falcon, the brave heart of the lion, and the swift feet of the deer. It holds the sword and the book, as befits any historical fencer, and bears the crown of mastery — because isn’t that to what we strive?

The design is available in RedBubble in several formats, from t-shirts to displates, tapestries, stickers and notebooks — and while you are there, check our other designs too!

[If you fancy using it as a desktop wallpaper, grab the plain picture here.]

Or, if you are yet unconvinced, you can go on reading an admitedly too long exposition on this beast’s symbolism.

The original

Paulus Kal was a master of the Art which wrote near the end of the XV century one significant Kunst des Fechtens treatise — between other cool stuff, he listed there the «Fellowship of Liechtenauer»: the names of several associated masters of the Art.

The tetramorph, in its original form.

The first pages of these manuscripts1 display an evocative image which represents the virtues we should cultivate:

  • falcon eyes = foresight, intelligence
  • lion heart = courage, initiative
  • deer feet = agility, measure

This is made explicit in the text around it:

ich hab augen als ein valk
das man mich nit beschalk
ich hab hercz als ein leb
das ich hin czu streb
ich hab füs als ein hint
das ich darzw und dauon spring

[I have eyes like a hawk / so I will not be fooled //
I have a heart like a lion / so I go on forward //
I have feet like a deer / to spring back and forth]

Which could be more loosely translated, on behalf of rhyme, as:

Mine hawk eyes keen
Make their plans seen

The lion’s heart brave
Then carries me ahead

And deer’s swift step
To jump here and there

Deepening in symbolism

Fiore’s segno.

There’s a similar image in Fiore de’i Liberi’s Flos Duellatorum treatises. He was partial to four virtues: prudentia (lynx eyes), celeritas (tiger arms), audatia (lion heart) and fortitudo (elephant legs).

Paulus Kal’s choice of animals, however, doesn’t strike as casual. Firstly, because this choice represents stylistic differences between Kunst and Flos: the swift feet of the deer versus the strong legs of the elephant, plus the lack of references to strength.

Strength, in Kunst des Fechtens, isn’t generally emphasized as a virtue. GNM HS 3227a explicitly says: «And this is why the Art of Liechtenauer is a true Art: because sooner will you gain victory through skill than through force alone — if this was not so, then who was strong would always win. And then, what sense would learning the Art make?» (My translation — If you are curious, we have a galician/portuguese translation and interpretation of 3227a available for purchase here).

Going deeper in symbolism, these three animals might represent the three fencing guilds which throughout time existed in the Holy Roman Empire:

  • Winged Lion = Marxbrüder = Saint Mark
  • Eagle [Falcon] = Federfechter = Saint Paul
  • Ox [Deer] = Lukasbrüder = Saint Luke

This symbolism is confirmed in the coats of arms for these guilds. The Winged Lion of St. Mark forms part of the Marxbruder heraldry, and likewise does the winged griffin appear  in the Federfechter’s. There’s no recorded arms for the Lukasbrüder (and references to them are scarce indeed) but attributin the Ox to them is only reasonable at this point.2

And Matthew was, of course, the fourth evangelist, whom in contrast to the other three is represented solely by the human figure. There was not, as far as we know, a fencing guild associated to St. Matthew, but one might infer that, by exclusion, he is in charge of all the «non aligned» or «common» fencers out there.

By combining these three animals in human form, Paulus Kal is effectively producing a tetramorph — a critter which in biblical terminology is a joint representation of the four evangelists. In the context of the Kunst des Fechtens meta-reading, this would represent a gathering of virtues from all four «guilds» or kinds of fencers. Unsurprisingly, in pure aristotelian style, he is suggesting that the truth of the Liechtenauer’s word lies not in any of the factions, but in picking the best out of each.

This appropriation of the four evangelists is not anecdotal in the Kunst des Fechtens repertoire of tricks: there is evident inspiration in christian formalism throughout its collective narrative. It shouldn’t come as a surprise — christian teology, mythos and rethoric was omnipresent back in the day.

For example: Liechtenauer’s figure has clear mesianic dimensions. He is the one who brings the Word in the Zettel (an art which «he didn’t invent, because it already existed») not unlike Moses brings the Word of God down from Mount Sinai. He teaches that Word to his disciples, who procceed to spread it throughout the world — the Fellowship of Liechtenauer has more than a passing resemblance to the christian apostles3.

Supposedly Liechtenauer, in Cod. Danzig 44 A 8, 1452

Revelations 4 describes a throne where the Creator sits dressed in red, guarded by the «four living beings»: eagle, lion, ox and human. Is it coincidence that the only image we have that (presumably) represents Johannes Liechtenauer is of an old master dressed in red sitting on his throne?

Is it also a coincidence that the main four stems of early Kunst des Fechtens literature are four, just like the four gospels? Indeed, the oldest texts we can trace are the glossæ by the anonymous 3227a author and those attributed to Sigmund Ringeck, Peter vom Danzig and Martin Huntfeltz (all in Kal’s fellowship list).

The heart of the Art, as 3227a insists once and over again, rests in the Holy Trinity of Schwach/Stark/Indes — or in Vor/Indes/Nach, in other reading. Three are also the ways of wounding with a sword — the Drey Wunder, thrust, cut and slice.4

There are many other correspondences betwen christian formalism and KdF literature which probably deserve a separate article. As stated above, christian culture was very present when these texts were written, and therefore it would offer a recognisable rethoric. This would help in many ways, not in the least in providing credibility by way of similarity, as well as making its teachings easy to memorise and recall.

A modern interpretation

While the original images from Paulus Kal’s treatises have an inherently medieval quality to them, they too are distant from modern day aesthetics and ideas of harmony. To try and update this idea, I took elements from representations of the evangelic animals in stained glass decorations of cathedrals and palaces.

The original tetramorph bore already a sword, which is the main instrument of this Art. I chose to equip it here with a design picked from the pages of the Goliath fechtbuch, whose images are particularly nice and good. This weapon in particular is interesting because while it is depicted as stabbing through an opponent (folio 36r), so presumably sharp, it still sports a Schild, like the ones we associate with Fechtschwerten.

I chose to have the beast hold a book in its spare hand, almost as if reading it. This is a hark to our present historical martial arts community. We rely totally in the existence of these precious fight-books to learn and practice these lost arts, and unsurprisingly the sword-and-book is a recurrent combination in many HEMA club logos.

Straying a bit from proper KdF imagery, I stole Fiore’s usage of the crown as a symbol for mastery to complete the design. Because don’t we all strive for it?

Remember to check RedBubble to get your merchandise with this design and others!

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O Tetramorfo das virtudes de Paulus Kal

O design internacional em RedBubble.

[There is an english version of this article.]

Temos um novo design de t-shirt! Há duas formas de consegui-lo:

  • Para o estudantado da Arte do Combate: falai comigo em aulas.
  • Para outras pessoas que queiram luzir as virtudes da Arte, uma variante está à venda em RedBubble, junto com os outros nossos designs.

Como nada na Arte é arbitrário, podes continuar a ler para sofrer uma explicação bastante longa acerca do que este design significa.

O original

Paulus Kal foi um mestre da Arte que contra o final do S.XV escreveu um dos manuais referentes no estudo da Kunst des Fechtens — entre outras cousas, é onde se recolhe a «Companhia de Liechtenauer», os mestres associados que (presumivelmente) ensinavam a KdF.

O tetramorfo no seu desenho original.

Nas primeiras páginas deste seu manuscrito há uma imagem evocativa das virtudes que devemos cultivar:

  • olhos de falcão = previdência, inteligência
  • coração de leão = valor, assertividade
  • pés de cerva = agilidade, mesura

O texto que a rodeia diz:

ich hab augen als ein valk
das man mich nit beschalk

ich hab hercz als ein leb
das ich hin czu streb

ich hab füs als ein hint
das ich darzw und dauon spring

[tenho olhos como um falcão / para não cair no engano // tenho coração como um leão / para continuar sempre avante // tenho pés como uma cerva / para saltar perto e longe]

Que traduzido livremente, para conservar a rima, pode ficar:

como falcão, esperto,
os enganos espreito

como bravo leão
combato com tesão

ágil como cerva
piso com certeza

Afundando no simbolismo

O segno de Fiore.

Há uma imagem semelhante (o chamado segno) nos tratados da Flos Duellatorum de Fiore de’i Liberi, que preferia quatro virtudes: prudentia (a olhada do lince), celeritas (o tigre), audatia (o coração do leão) e fortitudo (os pés do elefante).

Não parece casual, porém, o número e a escolha de animais feita por Paulus Kal. Primeiramente porque representa traços estilísticos diferenciados da Kunst versus a Flos: a velocidade nos pés de cerva vs. no braço do tigre, e a ausência duma referência à força.

A força, na Kunst des Fechtens, não é considerada uma virtude. O GNM HS 3227a diz, explicitamente: «É por isto que a Arte de Lichtenauer é Arte verdadeira: porque não requer força. Antes vences nela através da perícia que através da força — caso contrário, quem fosse forte vencia sempre. E se assim fosse, que utilidade teria a Arte?». (Lembra que temos à venda uma tradução do 3227a para o português.)

Afundando mais na interpretação simbólica, os três animais puderam representar os três grémios de mestres da Arte no Império:

  • Leão alado de são Marcos = Marxbrüder
  • Águia [Falcão] de são João = Federfechter
  • Boi [Cerva] de são Lucas = Lukasbrüder

Este simbolismo aparece em parte confirmado nas representações das armas destas sociedades que até nós chegaram. O leão alado aparece como animal portador ou defensor das armas dos Marxbrüder frequentemente na literatura. No caso dos Federfechter o animal heráldico que os guarda costuma ser um grifo. As referências aos Lukasbrüder são muito escassas e não conheço nenhum símbolo particular associado, mas a coincidência semelha demasiado grande para ser casualidade.1

Os animais dos quatro evangelistas no Livro de Kells.

Ao colocá-los em forma humana Paulus Kal está a unir os três grémios no «animal» do quarto evangelista, são Mateu: o ser humano. Não existiu (que saibamos) um grémio associado a são Mateu, mas pudéramos inferir que sob a sua proteção ficariam os espadachins comuns ou não afiliados.

Ao combinar estes quatro seres vivos Paulus Kal está a produzir um tetramorfo — uma criatura que na terminologia bíblica representa os quatro evangelistas em conjunto. No contexto da meta-leitura da Kunst des Fechtens, isto representaria a união das virtudes dos quatro tipos de espadachins. Em puro estilo aristotélico, Kal está a sugerir que a verdade da palavra de Liechtenauer não está nas formas e técnicas de nenhum desses coletivos, senão em apanhar o melhor de cada um deles.

Esta apropriação por parte da Kunst dos animais evangélicos não é casual: através dos diferentes escritos há uma clara inspiração na forma — não necessariamente no fundo — do cristianismo. Não deve ser surpreendente: era um elemento omnipresente na cultura da época.

Assim, a figura de Liechtenauer tem com clareza uma dimensão messiânica: ele é quem traz a Palavra da Arte na Zettel (arte que ele «não criou, porque já existia»), de forma semelhante a como Moisés traz a Palavra de Deus nas Tábuas da Lei. Ele é acompanhado dos seus discípulos, que estendem a sua palavra pelo mundo — a Sociedade de Liechtenauer, em certo parelho aos Apóstolos cristãos2.

O suposto Liechtenauer no Cod. Danzig 44 A 8, 1452

O livro da Revelação, 4, descreve um trono no que senta  o Criador vestido de vermelho, custodiado polos «quatro seres vivos»: águia, leão,  boi e o ser humano. Será casualidade que a única imagem que temos a (supostamente) representar Johannes Liechtenauer seja dum velho mestre com roupas vermelhas sentado num trono?

Será também casualidade que as origens conhecidas da Kunst descansem em quatro fontes — como os quatro evangelhos? Efetivamente, entre os textos mais antigos temos as glosas anónimas do 3227a e as atribuídas a Sigmund Ringeck, Peter von Danzig e Martin Huntfeltz (todos estes três na listagem de «companheiros» dada por Kal).

O coração da Arte, segundo insistem o 3227a uma e outra vez, descansa na Santíssima Trindade Schwach/Stark/Indes — ou Vor/Indes/Nach, noutra leitura. Três são também as formas de ferir com a espada: as Drey Wunder (corte, ponta, cutelada).3

Há outros muitos elementos correspondentes entre o formalismo cristão e a KdF que merecem um artigo aparte. Como já citei acima, tratava-se dum elemento cultural muito presente na época, e portanto oferecia uma retórica reconhecível. Isto ajudaria, entre outras cousas, na aceitação do discurso, e também na facilidade para lembrar os ensinamentos.

A recriação moderna

Embora as imagens originais recolhidas nas cópias do tratado de Paulus Kal tenham um inegável sabor medieval, ficam distantes da estética e harmonia modernas. Para tentar atualizar este conceito, peguei em elementos de vidreiras de várias catedrais e paços históricos, reunindo as partes dos animais evangélicos nesta soa figura.

O tetramorfo original portava já a a espada (que é o instrumento principal da Arte). Para o nosso propósito eu decidi somar noutra mão o livro (a via pola que a Arte chega a nós). Livro e espada são símbolos frequentemente usados hoje nas HEMA.

Para completar o conjunto a besta veste na cabeça uma coroa que simboliza a mestria na arte — com frequência, os vencedores dos torneios históricos eram chamados de «reis» da escola.

Lembra que tens camisolas e outros produtos com este design à venda em RedBubble!

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Espadas a Esgalha para 2019!

Para iniciar o novo ano com bom pé, desde a Arte do Combate vamos facilitar a tomada de decissões: se queres fazer exercício, conhecer a tua história, experimentar uma atividade nova — vem connosco!

Sabemos que nem sempre é fácil chegar-se a uma atividade nova onde não conheces ninguém. Por isto, queremos oferecer o seguinte: se inicias aulas em janeiro de 2018,1 podes trazer outra pessoa grátis contigo durante esse mês.2 Não há excusa!

Se queres aproveitar esta oferta para fazer um presente a alguma pessoa querida, podes descarregar e imprimir este bilhete de convite. Lembra encher o teu nome e o da outra pessoa!

Sobra dizer que como sempre, teremos equipamento para emprestar, para além dum ambiente excelente.

Que tenhas boas festas — e um 2019 cheio de espadas!

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